terça-feira, 24 de maio de 2011
[redes] Redes Sociais, uma faca de dois gumes.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Foto, Introdução e Poesia de Trabalho para Lingua Portuguesa II: Cubismo
Introdução
Para a realização deste trabalho partimos da idéia inicial de capturar cenários comuns e também característicos da cidade de São Paulo, mas que através de um olhar mais profundo, tornam-se complexos devido à história, o local, as pessoas que vivem ou que apenas passam pelo cenário em questão. Tentamos mostrar essa complexidade, que ao olho nu aparenta ser “invisível”, através de uma manipulação das fotos priorizando o que acreditávamos ser o que fazia cada cenário único. Durante a realização do trabalho o grupo procurou encontrar cenários aonde poderíamos ter essa “duplicidade” comum /profundo e que também poderíamos manipular a imagem de maneira a demonstrar isso. Acreditamos que o cubismo serve como uma maneira de expor essa profundidade não só em cenários, mas também em pessoas, é a maneira do artista explicar o que não pode ser visto sem certa sensibilidade e repertorio. Nas fotos tentamos transpor essa multiciplidade de olhares que podemos lançar sobre a cidade proposto nas aulas de Língua Portuguesa II. Relacionamos as fotos e o trabalho em si com a aula de Historia da Arte II ao manipular as fotos de uma maneira cubista não só esteticamente, mas também na ideologia. Como nas nossas fotos o cubismo esteticamente pode não parecer plástico ou sempre bonito, mas tem um significado e uma beleza aos olhos da alma. Para isso procuramos utilizar algumas das principais características do cubismo, mas também procuramos sair apenas do visual e entender /passar a ideologia cubista.
A simplicidade do complexo”
Todos esses anos que vi e pessoas que conheci
Pelas ruas de São Paulo
Passaram por muitas vezes sem olhar para um dia recordar
Muitas vezes sem repararem as simples imagens ao seu redor
Poucos conheceram que realmente viram
Viram o que sempre retratei
A essência do retrato
Os anos se passarão e aqui continuarei
Ansioso para ser visto como já fui
E novamente serei
Foto de Sebastião Salgado e Poesia de Marcio U Ramos
Resenha do livro - "O que é ideologia" Marilena Chauí
O conceito de ideologia é muitas vezes identificado como apenas o estudo das idéias, assim como a etimologia de seu some, porém é um conceito equivocado, já que se tal tradução se trata de ideário e não uma forma de ocultar a realidade através dos mesmos, de modo que o livro “O que é ideologia” da Marilena Chauí torna a compreensão dessa expressão mais fácil.
A ideologia, com base nas afirmações de Aristóteles, é um movimento, já que o mesmo é caracterizado por toda e qualquer alteração da realidade. A ideologia é criada como uma forma de alienação social, ou seja, o desconhecimento das condições históricas as quais vivemos e o peso de nossas ações sobre elas. Tal alienação social é caracterizada de três formas: social na qual o indivíduo aceita tudo que lhe é disposto, pois acredita ser parte de algo natural e imutável, ou simplesmente se rebela contra o que é real e disposto; a alienação econômica é aquela em que os membros da sociedade não se reconhecem como responsáveis por aquilo que fazem não se identificam em seus trabalhos e por último, porém não menos importante, a alienação intelectual a qual nos faz pensar que o trabalho manual não exige conhecimento, intelectualidade e sim mecânica, enquanto o trabalho intelectual de produzir idéias sim exige tais conhecimentos. Todas essas formas de alienação tornam a ideologia ainda mais forte, pois se torna senso comum na sociedade, de modo a criar justificativas para a realidade somente do modo mais fácil, ou seja, do modo visível a olho nu, enquanto que o olhar para com a sociedade deveria ser mais profundo e melhor analisado.
A descrição do mundo a partir da classe social em que vivemos é como generalizar todos os humanos a partir do nosso próprio umbigo, ou seja, não olhamos o todo, nos deixamos levar pelas impressões que temos somente desse corpo a que pertencemos, e desse modo, acabamos por fazer afirmações erronias sobre a realidade. Não detemos total conhecimento sob a mesma, portanto, não podemos usar de senso comum já que o mesmo é uma opinião de um pequeno grupo que se torna padrão para o resto dos grupos por imposição.
Um argumento que insistimos em carregar, é que somos uma só sociedade, que somos todos iguais. Apesar de sabermos que as divisões sociais são claras, afirmamos que elas não existem e sim apenas seres humanos com os mesmos direitos, quando na realidade uma pequena parcela da população gerencia de que modo os recursos chegarão aos seus “semelhantes”.
Por outro lado, insistimos que as desigualdades sociais, econômicas e políticas não são formadas pela divisão de classes que nos é real, e sim por destaque de alguns membros da sociedade que tem maior capacidade intelectual do que outros, ou maior força de vontade. Tal argumento parece-me preguiçoso, de modo que é mais fácil afirmar que um homem é rico por astúcia e por todo seu conhecimento acumulado o qual tornou Possível seu crescimento sozinho, do que reconhecer que toda essa inteligência e astúcia não foi usada para melhor distribuir a renda no país e sim concentrá-la.
A ideologia afirma que todos nós somos cidadãos, porém se fossemos comparar nossa sociedade a sociedade da antiga Grécia dos tempos das Polis, veríamos que ela não se difere muito. Na Polis, somente eram cidadãos os homens, o que está em constante mudança nos tempos atuais; jovens, o que atualmente também se encaixa de certo modo, pois os idosos não têm seus direitos respeitados como deveria ser; crianças não eram consideradas cidadãs, o que infelizmente é similar atualmente de modo que os direitos das crianças e adolescentes não são respeitados nem pelo governo o qual permite que o ensino nas escolas públicas seja inferior ao das escolas particulares. Enfim, ser cidadão é um título que todos nós nos damos, porém poucos realmente o podem exercer. Não é porque somos indivíduos votantes, que quitamos nossos débitos que podemos nos considerar cidadãos, isso é o que a ideologia nos faz acreditar, porém a realidade é outra.
A ideologia propõe que a ordem a ser seguida seja: primeiro efeito, depois causa, ou seja, nos faz acreditar que tal situação só acontece por que a sociedade está predisposta a isso. Por exemplo: as mulheres só são o sexo frágil, porque em sua maioria ela é intuitiva, maternal, doce, carinhosa, enfim, tem algumas características que as tornam mais frágeis do que os homens. Essa forma de ver a sociedade atua como uma produção do imaginário social o qual recolhe imagens imediatas da vida e as toma como realidade geral reproduzida pela ideologia.
Há quem afirme que a ideologia é similar ao conceito de inconsciente de Freud. As comparações passíveis entre eles são devido à adoção de crenças sem saber sua origem, a ação através do imaginário refletindo na consciência.
Em resumo a autora acredita que a ideologia é uma forma de falseamento da realidade de modo imperceptível para nós já que preferimos continuar afirmando aquilo que é mais fácil ouvir, ou explicar, por exemplo: dizer que um pobre só é pobre porque é vagabundo, por que quer mesmo ser pobre, tem preguiça. Ao invés de ouvirmos a essência das coisas, ao invés de tentarmos compreender a realidade que nos cerca e pararmos de nos vermos espelhados e explicados nos rostos alheios.
